Negócios

Mais um ERP não é uma ideia de produto

Notas soltas sobre por que software para contabilidade é um mercado onde a ideia nunca é o gargalo — e o que costuma ser.

Ilustração abstrata da editoria
Ilustração: A Pauta

Texto de exemplo — este é o tipo de texto que funciona bem como "ideias em maturação", com data e sem conclusão forçada.

Toda semana aparece alguém propondo um ERP. O raciocínio é sempre o mesmo: o mercado é grande, os incumbentes são velhos, a experiência do usuário é ruim. Todas as três premissas costumam estar certas — e ainda assim a conclusão é errada.

O gargalo nunca foi o software

Em contabilidade, três coisas são mais difíceis do que escrever o sistema:

  • Convencer alguém a migrar no meio do exercício. Trocar de sistema é trocar o histórico. Ninguém faz isso em dezembro.
  • Sobreviver à legislação. A regra muda com frequência e sem aviso confortável. Cada mudança é um cliente esperando resposta.
  • Ganhar a confiança do escritório. O contador não compra feature. Compra a certeza de que não vai responder por erro alheio.

A ideia, portanto, raramente é o gargalo. A distribuição e a responsabilidade são.

Onde eu procuraria

Ideias que me parecem mais promissoras que "mais um ERP":

  1. Ferramenta de reconciliação, não de escrituração. O dado existe; a conferência é manual.
  2. Memória de decisão. Registro de por que uma classificação foi feita daquele jeito, recuperável depois.
  3. Produto que vive na fronteira contábil-jurídica — exatamente onde a responsabilidade é difusa e, por isso, o valor é alto.

A pergunta que eu faria antes de codar

Se isso funcionar, quem vai ter um problema?

Se a resposta for "ninguém", é hobby. Se for "concorrente com receita que eu quero", é produto.


Texto de exemplo. Ideias aqui são rascunho, não recomendação.

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